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28/10/2009 15:39
"Dois e Dois são Quatro"
Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena
Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.
Ferreira Gullar
* Adoro quando um poema se ajusta, de alguma forma, ao meu momento atual.
A vida vale a pena, sim. Mesmo que às vezes a gente perca a fé nas coisas. Desanime. Reclame. Esperneie.
Mas o tempo prossegue, as coisas mudam e nada fica no mesmo lugar. Quer saber? Ainda bem. Movimento é fundamental. Mudanças assustam porém precisam ser encaradas com serenidade.
E tenho dito!
enviada por Flávia Cunha
21/08/2009 15:44
Poison Heart
Minha mente oscila, meu coração também. Revoluções internas acontecem, enquanto toco a vida e cumpro normalmente minhas obrigações.
"Não sei pra onde tô indo, só sei que tô no meu caminho", como diria Raul.
The show must go on. E isso que não preciso 15 minutos de fama, viu, Andy?
enviada por Flávia Cunha
11/08/2009 19:05
Frase tudo de bom
"As únicas pessoas que interessam para mim são as loucas. Loucas para viver; loucas para falar; loucas para serem salvas; que desejam tudo ao mesmo tempo; que bocejam diante do comum e ardem, ardem como fabulosos fogos de artifício que explodem em mil centelhas entre as estrelas."
Jack Kerouac
* Roubada na cara-dura do blog do Nélio, meu colega de firma.
http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&tipo=1§ion=Blogs&p=1&coldir=2&blog=684&topo=4238.dwt&uf=1&local=1
enviada por Flávia Cunha
28/07/2009 16:43
Diário de Bordo
Tudo bem. Na boa. Beleza. Tamo aí. Na atividade. Na luta. Na correria. Indo.
De quantas formas é possível responder a perguntas como "Tudo bem?" ou "Como tu tá?" quando a gente não está com vontade de falar da gente mesmo?
As oito alternativas acima são uma maneira genérica de fugir da questão.
Nesses quase três meses, houve mudanças de rumo. Não radicais. Porém há alterações de percurso, sem dúvida. Posso receber críticas por isso. Mas a necessidade de sair do marasmo é maior do que qualquer censura ou olhar de reprovação. Rebel, rebel, forever.
E também têm a imensidão de planos, projetos e anseios. Em vários níveis. De diversos tamanhos. Alguns impossíveis, outros viáveis talvez a médio e longo prazo. Sonhar é essencial, sempre. Pelo menos para alguém como eu, que enxerga o cotidiano e a rotina como inimigos.
Aliás, esse verso da Adélia Prado traduz muito o momento.
"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada."
enviada por Flávia Cunha
09/05/2009 10:30
Elogios
Como leonina besta que sou, adoro um afago no meu ego. Principalmente quando o incentivo é espontâneo. Na minha aula preferida do semestre, a de produção de textos, a professora leu uma narrativa minha, sem a identificação do autor. O tema obrigatório era mostrar um político em campanha.
Os meus colegas curtiram, riram nos momentos em que coloquei algo divertido no texto e demonstraram interesse pelo desenrolar da história. A teacher, normalmente atenta a qualquer deslize, só fez comentários positivos.
Me valeu o dia... E meu ego leonino ficou faceiro nessa semana que passou!
Candidato Caô-Caô
Entra no carro, suado e exausto, após duas horas percorrendo a Lomba do Pinheiro, um dos bairros carentes de Porto Alegre. Ser um político em campanha, pensa, não é algo fácil, como muita gente fala por aí ou escreve nos jornais.
- Deputado, o senhor vai para casa agora? pergunta o assessor, solícito, com um bloco de anotações e uma caneta nas mãos.
- Não, Alfredo. Vamos para o comitê. Lá mesmo eu tomo um banho rápido e vamos ainda hoje fazer um corpo a corpo na Restinga.
- Será mesmo necessário, deputado? O senhor parece cansado.
Não responde e olha pela janela do carro. O veículo é muito bem conduzido pelas ruas esburacadas daquela parte da cidade por seu fiel motorista Antonio, que o acompanha desde o primeiro mandato parlamentar. Suspira.
O deputado sente dor de estômago. É o que acontece a cada vez que precisa mentir para obter votos. Ao longo dos anos como político, desenvolveu uma gastrite crônica. No início, tentou fazer algo pelo povo. Esse pensamento sempre o consola nas noites de insônia.
Mas depois vieram os lobbistas, o desvio de recursos, as passagens aéreas gratuitas, o telefone funcional e todas as vantagens que sabe que os brasileiros comuns não possuem.
Aos poucos, percebeu que foi perdendo a sinceridade contida nas promessas iniciais. E essas frases de efeito, como acabar com a fome e a pobreza, passaram a ser só um discurso vazio. Tudo seria mais simples, se não precisasse retornar para os mesmos lugares em razão das eleições.
- Deputado, chegamos fala o assessor.
O entorno do comitê está lotado. Gente pobre e feia, pensa o parlamentar, enquanto aperta, com jeito alegre, aquelas mãos calosas e meio sujas. O esgoto continua a céu aberto, na vila onde essas pessoas moram. Há quatro anos, o deputado garantiu que resolveria tal problema. As pessoas parecem não se lembrar de nada. O abraçam, pedem favores e sorriem, com suas bocas com poucos dentes e hálito fétido.
- Minha gente, vou salvar esse país. Quando forem votar, é em Walter Medeiros, hein? 66.666 é o meu número.
O estômago dói, mais uma vez. Entra às pressas em seu escritório particular, que fica na parte de cima do comitê. Engole um comprimido, receitado pelo melhor gastroenterologista do Brasil.
- Um dia, me livro disso tudo. balbucia, confuso.
Alfredo entra na sala, sem bater, e fala que é preciso apressar-se. Havia confirmado a presença do deputado no almoço de uma associação comunitária.
Quando o assessor aconselha-o a não usar gravata, para ficar mais informal, Walter cantarola, sem perceber:
Ele subiu o morro sem gravata
dizendo que gostava da raça, foi lá
na tendinha, bebeu cachaça e até
bagulho fumou
Foi no meu barracão, e lá
usou lata de goiabada como prato
eu logo percebi é mais um candidato
Às próximas eleições...
O assessor olha para o deputado, perplexo.
- Por favor, nunca mais cante essa música, deputado. Ela é ofensiva a qualquer político honesto, como o senhor.
Walter concorda, voltando a sua postura circunspecta habitual. Estou enlouquecendo, pensou. Cantar Bezerra da Silva perto do Alfredo. Era o que faltava. Preciso falar com meu neurologista. Umas pílulas para diminuir o estresse seriam bem-vindas.

Valeu pela inspiração! Grande Bezerra!!
enviada por Flávia Cunha
01/05/2009 09:47
Um texto fofo
Mais um da série o que escrevi para a faculdade. O exercício era colocar no papel o relato de um colega que tivesse ocorrido no Campus do Vale da UFRGS. Nesse caso, a Lúcia é filha de uma professora da Letras. O que ampliou o campo de memória, trazendo à tona uma história da infância dela.
Ah! Era obrigatório escrever uma narrativa em terceira pessoa. Confiram abaixo o resultado:
Aventura
A mãe olha para a menina, de uns sete, oito anos. Cabelos lisos, olhos sapecas e escuros. De um modo preocupado, pergunta:
- Tem certeza mesmo que consegue voltar aqui, Lu?
A filha balança a cabeça, em sinal afirmativo. Saí, sem olhar para trás. Sorri para si mesma, sentindo-se orgulhosa. Desce uma escada e chega até o bar. O Antonios, como sua mãe sempre diz.
Com sua voz fina, faz o pedido, tirando algumas notas amassadas de dentro de uma bolsa cor-de-rosa minúscula, que traz a tiracolo.
- Um Chokito e três balas daquelas ali, fala, apontando para a prateleira colorida que fica atrás do homem de bigode.
Ele sorri e entrega os doces, com o troco. Conhece a filha da professora Ana desde bebê. Ela visita o Instituto de Letras pelo menos uma vez por semana. Porém, essa é a primeira vez que vê a criança sozinha ali. O atendente tenta fazer uma brincadeira, mas Lúcia parte da lancheria como um pequeno furacão.
Com passos curtos e rápidos, quase saltitando, ela caminha pelo prédio, ouvindo fragmentos de conversas. Tão falando em inglês, comenta para si mesma, ao passar por uma das turmas. Logo, começa a achar que todas as portas do longo corredor parecem iguais.
Olha para dentro das salas e, finalmente, decide entrar em uma delas. A mesa do professor está vazia. Senta-se em uma classe e tenta não chamar a atenção, mas alguns alunos a olham com curiosidade. Porém, ninguém faz perguntas.
Algum tempo depois, quando já havia devorado toda a barrinha de chocolate, entra no local um velho alto e magro, carregando muitos livros. Senta-se e imediatamente começa a fazer a chamada.
Ele olha na direção onde Lúcia está sentada, mas não parece notar nada de diferente. A menina coça a cabeça e pensa no que fazer. Tem vergonha de interromper a aula, porém quer muito reencontrar com sua mãe. Onde, afinal, ela estaria?
Faz menção duas vezes de levantar-se e desiste. Por isso que o pai me fala para eu deixar de ser tímida, murmura. Aproveita para escapar no momento que o professor vira-se para escrever no quadro-negro.
Na dúvida sobre a localização de sua mãe, vai até o pátio. Senta-se em um banco e abre a bolsinha. Come uma bala, enquanto sente que pode chorar, a qualquer momento.
De repente, vê a mulher mais linda do mundo chegando, com seu cabelo loiro sempre arrumado e um perfume gostoso. Abraça-a com força.
- Lu, estou te procurando há horas, reclama.
- Mãe, eu me perdi. Mas isso não vai acontecer mais. É só colocar uns pedacinhos de pão no caminho. Dentro do prédio não tem passarinhos pra comer os farelos, né?
A professora Ana sorri, aliviada. Essa sua filha, sempre fazendo analogias do mundo real com a literatura... Quem sabe um dia não estudava Letras?
Intertextualidade, uma das características
que podem aparecer no gênero narrativo.
enviada por Flávia Cunha
22/04/2009 08:46
Na falta de algo melhor...
... posto aqui um trabalho escrito para a disciplina de Leitura e Produção Textual. Aliás, to adorando essa cadeira! O tema era uma narrativa mostrando uma emoção forte. Acho que eu consegui atingir o objetivo. Confiram a seguir.
Traição
- Ou eu, ou ele disse, com a voz saindo menos segura do que eu gostaria. Ela me olhou, abaixou a cabeça, não falou nada. Senti como se fosse um soco. Mas não, ela não havia se movido.
Com o choro ainda contido, corri para o quarto. Abri o guarda-roupa e juntei camisetas, calças e alguns vestidos e enfiei de qualquer jeito dentro de uma mochila. Ela tentou me impedir, aos gritos, mas consegui sair correndo de lá.
Já na rua, as lagrimas escorreram livres pelo meu rosto. As pessoas que passavam me olhavam, com uma certa piedade. Caminhei algumas quadras, que pareciam intermináveis. Finalmente, cheguei ao meu destino. Fiquei alguns minutos parada na frente da casa, insegura.
Finalmente, toquei a campainha. Ele abriu a porta quase em seguida.
- Me ajuda! Posso ficar aqui?
- É claro, minha filha! Eu imaginei que não seria fácil para ti aceitar o novo marido da tua mãe...
Depois disso, as recordações são meio confusas. Lembro de ter chorado muito, enquanto ele me consolava, incansável. Daquele episódio, guardo até hoje o gosto amargo da deslealdade. E que às vezes retorna, sem pedir licença.

O texto acima é baseado em um dos meus fantasmas nada camaradas.
enviada por Flávia Cunha
09/04/2009 19:38
Piloto automático
Esse é o motivo pra ficar quase dois MESES sem postar nada. Cumpro as obrigações do dia a dia e deu. Já estou exausta e sem saco.
Enquanto a inspiração não vem, curtam frases ditas pelo meu fofo sobrinho Flávio, de 8 anos. Divirtam-se:
"Ah, é que é tu é mais do rock, né?", (compreensivo, ao constatar minha incompleta ignorância sobre duplas sertanejas).
"Esse era meu sonho desde criancinha" (debochando, ao conseguir a carta do Wolverine no Super-Trunfo da Marvel, um dos nossos presentes adiantados de Páscoa pra ele).
É por essas e muitas outras (como ele ser fã da Amy Winehouse) é que adoro esse pequeno!!!
Aliás, tô louca pra assistir o longa-metragem sobre o Wolverine!!!
enviada por Flávia Cunha
14/02/2009 18:26
Hasta la vista, babies
Esse blog está oficialmente em férias até a primeira semana de março.
Aos meus raros leitores, deixo a pergunta: é o cúmulo da incoerência alguém passar 3 horas no salão de beleza e aproveitar o tempo para ler um livro com enredo violento do Rubem Fonseca?
Me senti muito estranha fazendo isso... Mas enfim, sou um ser incoerente mesmo!
No mais, to indo pra esse lugarzinho ruim da foto abaixo. Fui!!!

enviada por Flávia Cunha
10/02/2009 18:33
Dois pra lá, Dois pra cá
A trilha sonora do momento é Alabama Song. ("Show me the way to the next whisky bar...")
Primeiro, porque eu amo The Doors e volta e meia escolho a minha preferida. A anterior foi We Could Be So Good Together, do inspirado álbum Waiting for the Sun.
A segunda razão é o fato de que adotei ultimamente uísque com guaraná como A Bebida. Claro, isso até eu resolver voltar a tomar smirnoff ice... Ou caipirinha. Ou vinho branco. Tá, eu sou uma bêbum volúvel, eu sei.
E apesar de ser fevereiro e ter aquele clima ala-la-ô pelas ruas do meu Brasil, eu sou mesmo é do contra. Minha alma se arrepia de raiva cada vez que passa na TV a cabo um comercial com a diva do axé Daniela Mercury.
Ela dá dicas sobre como passar bem no Carnaval na Bahia. Entre as sugestões bizarras, estão:
1. Não use chinelo, porque senão o calçado será destruído pelos pisões de outros foliões.
2. Não use roupas curtas, se você não quiser que passem a mão em você.
3. Por conta desse fogo (sic), use camisinha.
4. Guarde o dinheiro dentro do sapato, para não ser assaltado.
5. Não fique só nos camarotes, aproveite as ruas.
Eu não sei se fico mais horrorizada com a tranquilidade com que ela fala das passadas de mãos e assaltos ou como a cara de pau de
reiterar, logo em seguida, as delícias de aproveitar o carnaval em meio à multidão.
As ferramentas "ultramodernas" do blog não me permitem postar vídeos, mas aí vai o link da bobagem.
É constrangedor, criaturas. Não digam que não avisei.
http://www.youtube.com/watch?v=-HdZ74CS3mM
E pra relaxar, aí uma versão ao vivo da minha obsessão sonora.
http://www.youtube.com/watch?v=eutCKM0kzpw
Uísque com guaraná é coisa de bolero, eu sei.
Mas alma permanece rocker, em pleno carnaval.
enviada por Flávia Cunha
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