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01/05/2009 09:47
Um texto fofo
Mais um da série o que escrevi para a faculdade. O exercício era colocar no papel o relato de um colega que tivesse ocorrido no Campus do Vale da UFRGS. Nesse caso, a Lúcia é filha de uma professora da Letras. O que ampliou o campo de memória, trazendo à tona uma história da infância dela.
Ah! Era obrigatório escrever uma narrativa em terceira pessoa. Confiram abaixo o resultado:
Aventura
A mãe olha para a menina, de uns sete, oito anos. Cabelos lisos, olhos sapecas e escuros. De um modo preocupado, pergunta:
- Tem certeza mesmo que consegue voltar aqui, Lu?
A filha balança a cabeça, em sinal afirmativo. Saí, sem olhar para trás. Sorri para si mesma, sentindo-se orgulhosa. Desce uma escada e chega até o bar. O Antonios, como sua mãe sempre diz.
Com sua voz fina, faz o pedido, tirando algumas notas amassadas de dentro de uma bolsa cor-de-rosa minúscula, que traz a tiracolo.
- Um Chokito e três balas daquelas ali, fala, apontando para a prateleira colorida que fica atrás do homem de bigode.
Ele sorri e entrega os doces, com o troco. Conhece a filha da professora Ana desde bebê. Ela visita o Instituto de Letras pelo menos uma vez por semana. Porém, essa é a primeira vez que vê a criança sozinha ali. O atendente tenta fazer uma brincadeira, mas Lúcia parte da lancheria como um pequeno furacão.
Com passos curtos e rápidos, quase saltitando, ela caminha pelo prédio, ouvindo fragmentos de conversas. Tão falando em inglês, comenta para si mesma, ao passar por uma das turmas. Logo, começa a achar que todas as portas do longo corredor parecem iguais.
Olha para dentro das salas e, finalmente, decide entrar em uma delas. A mesa do professor está vazia. Senta-se em uma classe e tenta não chamar a atenção, mas alguns alunos a olham com curiosidade. Porém, ninguém faz perguntas.
Algum tempo depois, quando já havia devorado toda a barrinha de chocolate, entra no local um velho alto e magro, carregando muitos livros. Senta-se e imediatamente começa a fazer a chamada.
Ele olha na direção onde Lúcia está sentada, mas não parece notar nada de diferente. A menina coça a cabeça e pensa no que fazer. Tem vergonha de interromper a aula, porém quer muito reencontrar com sua mãe. Onde, afinal, ela estaria?
Faz menção duas vezes de levantar-se e desiste. Por isso que o pai me fala para eu deixar de ser tímida, murmura. Aproveita para escapar no momento que o professor vira-se para escrever no quadro-negro.
Na dúvida sobre a localização de sua mãe, vai até o pátio. Senta-se em um banco e abre a bolsinha. Come uma bala, enquanto sente que pode chorar, a qualquer momento.
De repente, vê a mulher mais linda do mundo chegando, com seu cabelo loiro sempre arrumado e um perfume gostoso. Abraça-a com força.
- Lu, estou te procurando há horas, reclama.
- Mãe, eu me perdi. Mas isso não vai acontecer mais. É só colocar uns pedacinhos de pão no caminho. Dentro do prédio não tem passarinhos pra comer os farelos, né?
A professora Ana sorri, aliviada. Essa sua filha, sempre fazendo analogias do mundo real com a literatura... Quem sabe um dia não estudava Letras?
Intertextualidade, uma das características
que podem aparecer no gênero narrativo.
enviada por Flávia Cunha
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