Tabefe

27/08/2008 20:21
Um dia eu chego lá...

Tive o privilégio de assistir durante dois dias, dentro da Semana de Letras da UFRGS, a um mini-curso com o tradutor da primeira versão para o português do livro Visões de Cody, do genial Jack Kerouac. O lançamento deve rolar no primeiro semestre de 2009, pela LPM.

O Guilherme da Silva Braga expôs, de forma muito honesta e divertida, as curiosidades e dificuldades que enfrentou durante esse processo. A começar pelo fato de que essa obra é a mais experimental do escritor beat.

Segundo o tradutor explicou, existem trechos da história que são transcrições de gravações de festas em que Kerouac e doidões amigos dele participaram. Em outras partes, há fluxos de pensamento ininterruptos, sem pontos e sem vírgulas. Também há momentos com poesia, muitas gírias, neologismos e citações a drogas da época, como a benzedrina.

Vocês imaginem o trabalhão que o cara passou! Principalmente porque ele tentou não se basear nas traduções para outras línguas, com receio de que pudesse cometer possíveis erros.

Uma das partes mais interessantes foi quando ele mostrou palavras inventadas pelo autor, como hottentot sun, traduzida livremente por sol quentucky.

Nesse exemplo, o Guilherme perguntou se a solução encontrada por ele seria plausível, já que ainda há tempo para eventuais mudanças. Eu me manifestei, dizendo que tinha amigas que falavam quentucky, para se referir a uma ceva quente. O cara ficou super feliz com a informação, dizendo que então a idéia dele não era tão louca assim... (Não é verdade, Ale?)

Para finalizar, o tradutor explicou que para um livro desse tipo seja publicado de forma perfeita, ele criou uma espécie de manual, para orientar o revisor, em meio a frases truncadas e idéias loucas do escritor, passadas para o nosso idioma.

Demonstrando que é um profissional modesto, o palestrante comentou, mais de uma vez, que sabia que receberia críticas, por ser o primeiro a se aventurar nessa empreitada. Mas quer saber? Quem não é criticado, ainda que de vez em quando? Só quem não se expõe, por medo da avaliação alheia!




O autor de "On The Road", em meio a reflexões.
enviada por Flávia Cunha



18/08/2008 15:11
Ó vida, ó ceus

Adoro inventar teorias para diversas situações da vida. Uma delas se refere a expectativas, projetos e afins. Prefiro sempre pensar que as coisas vão dar errado, para evitar decepções. Sempre falei que era a Teoria do Pensamento Negativo.

Não foram poucas as vezes que recebi críticas por isso. O argumento mais recorrente era de que pensar de forma positiva refletiria diretamente nas conseqüências práticas do dia a dia.

Pois lendo dia desses uma edição antiga da Superinteressante (de junho deste ano), dei de cara com uma matéria que defendia com diversos argumentos racionais a minha querida teoria. Um dos citados é o filósofo alemão Schopenhauer*, que era um pessimista de carteirinha.

A reportagem afirma que os otimistas, por nunca esperarem problemas, acabam se frustrando com mais facilidade. Nem preciso dizer que adorei ter elementos teóricos para embasar a minha visão pessoal sobre esse assunto.

Pra mim, esse lance de fazer do limão uma limonada é muito auto-ajuda. Lair Ribeiro demais para o meu way of life... E tenho dito!!!

* Uma palhinha do pensamento do cara:

"A consciência humana é uma mera superfície, tendendo a encobrir a irracionalidade inerente à vontade.

Por isso, ela é a causa de todo sofrimento, uma vez que lança as pessoas em uma cadeia perpétua de aspirações sem fim, o que provoca a dor de permanecer algo que jamais consegue completar-se.

Segundo tal concepção pessimista, o prazer consiste apenas na supressão momentânea da dor".

(editada livremente por mim, com base na wikipédia)




Schopenhauer curtia o budismo, como eu...
Será que é um dos sintomas de ser pessimista?
enviada por Flávia Cunha



11/08/2008 14:39
Esquizofrenia literária

Desde o início do ano, com a retomada ao mundo universitário, vivo uma relação inusitada com a literatura. Ler obras de ficção por obrigação acadêmica é algo que eu nunca havia feito.

Por isso, as minhas leituras andam dispersas e heterogêneas. Alterno jornadas de Crime e Castigo do Dostoiévski (para a disciplina de Leituras Orientadas) com Helena, de Machado de Assis, que li basicamente no ônibus.

Como preciso de algo mais pop, sigo com Tim Maia me fazendo companhia nas horas de folga. E com o Kerouac de Os Subterrâneos, que tenho poupado para não acabar, porque adoro demais o jeito que o loucão beatnik escreve.

Agora, ando atrás de A Dama das Camélias e de Morte em Veneza.

Mas já tô torcendo para que o semestre chegue ao final. Por dois motivos: porque em novembro, na cadeira citada acima, teremos debates sobre Gabriel Garcia Marquez (com Cem Anos de Solidão e Crônica de Uma Morte Anunciada) e Saramago (Evangelo Segundo Jesus Cristo). Delícia total!

E também para que, quando chegar as férias, eu tenho mais tempo... para ler! Nada me satisfaz mais do que rodopiar por uma livraria ou biblioteca, sem um objetivo em mente. Pegar ao acaso um livro, às vezes sem nem conhecer o autor. E ter horas livres para aproveitar esse meu vício.




Bibliotecas são lugares mágicos... Para quem se encanta pela literatura!!!
enviada por Flávia Cunha



04/08/2008 19:56
Preparativos





enviada por Flávia Cunha



26/07/2008 10:22
Encontrei o texto abaixo em uma das minhas caixas de e-mail, datado de agosto de 2006 (!). Acho que nunca o publiquei aqui no blog, talvez por esquecimento. Sei muito bem para quem o escrevi, mas isso não revelo nem sob tortura!!!!


Questão de ordem, digníssima(o) amiga(o)!

Existem muitas perguntas sem resposta neste nosso mundinho. Isso aprendemos desde crianças, quando pela primeira vez temos a curiosidade de saber de onde viemos ou que céu é mesmo aquele para onde foi a vovó.

Com o tempo, vamos sabendo separar quase que automaticamente as questões que podem ou não ser formuladas, dependendo da situação. Mas às vezes, quando estamos muito tristes ou desconsolados, resolvemos falar para quem está por perto: Quando vou arranjar um namoro bacana? Vai demorar para aparecer o emprego dos meus sonhos? E quando finalmente vou conseguir ser feliz?

Odeio pessoas que vendo o sofrimento (ou no mínimo desconforto) alheio, resolvem dar conselhos pré-fabricados. Sabe como é? A criatura parece que tem um livrinho surrado, com as soluções práticas para os problemas dos outros.

O amigo coitado reclama que levou um pé na bunda. A resposta mágica? Olha, fica calmo, porque daqui a pouco vai aparecer uma pessoa bem legal na sua vida.

É, imagino que o conselho de ter paciência e tranqüilidade seja algo bastante "adequado" para alguém com dor de cotovelo!!!

Nessas situações, a melhor resposta é mesmo um bom abraço e um "eu entendo, é complicado". E nada mais!



Respostas pré-fabricadas certamente devem vir de
algum manual antigo de etiqueta e boas maneiras!!!
enviada por Flávia Cunha



19/07/2008 08:42
Teeth Week

Há um tempão, escrevi aqui no blog - junto com a Ale - que as vidas podem parecer com seriados. Ultimamente, acho que a minha existência tem muita semelhança com aqueles sitcoms idiotas, de humor duvidoso.

No episódio dessa semana, a palhaça aqui ficou com a cara mega--hiper-super-ultra inchada, por ter tirado dois sisos. Nunca se esqueçam de que, nas comédidas, o protagonista passa por peripécias muitas vezes dolorosas para ele, mas divertidas para os outros.

Após ter a minha auto-estima já baixa por estar as bochechas maiores do que a Dom Corleone e por ter ficado de repouso mais de três dias, retornei ao trabalho.

Para completar, meus colegas me bombardearam com apelidos graciosos. Abaixo seguem as fotos dos nomes carinhosos pelos quais me chamaram. Nem é preciso as risadas enlatadas típicas das
produções televisivas norte-americanas.



Esses apelidos me irritaram...



... apesar de as bochechas estarem mesmo imensas!



Mas eu gostei foi do nome que eu mesma me dei!!!


enviada por Flávia Cunha



12/07/2008 10:37
Portas da percepção

Uma das minhas diversões atuais é degustar, com toda a tranqüilidade, o livro Vale Tudo: Tim Maia, do Nelson Motta. É tão bom que estou economizando as páginas, para durar mais, como quando eu era criança e mordiscava um chokito durante horas.

O mais bacana é que adquiri meu exemplar na sorte. Acessando o site de uma livraria online (não cabe aqui fazer comercial, né?), vi que estava por quase a metade do preço e sem cobrança de frete. Corri para imprimir o boleto e poucos dias depois era a feliz proprietária da biografia de um dos artistas brasileiros mais talentosos e polêmicos.

A obra começa no último encontro entre Motta e Tim, em 1997, e depois vai percorrendo, em ordem cronológica, os acontecimentos surreais da vida do cantor. Algumas coisas eu já sabia, como a amizade com Erasmo e Roberto Carlos e suas peripécias malucas nos Estados Unidos quando era adolescente, por exemplo.

Mas mesmo esses acontecimentos ganham mais cor, devido à narração detalhada e com bom humor do jornalista-produtor-agitadorcultural-e-além-de-tudo-autor-do-livro . Além disso, a gente se dá conta que muitos sucessos do cara foram criados ainda nos anos 60, mas não parecem datados. Isso demonstra a genialidade do cara.

Pra terminar, vou contar só uma das milhares histórias do livro, pra não perder a graça de quem estiver afim de ler. Em pleno AI-5, em 1968, com a repressão comendo, o louco Tim Maia fazia uma série de shows em um teatro do Rio de Janeiro. E não abria mão de fumar um baseado. O problema é que na platéia tinham vários policiais, que no final da apresentação resolveram dar uma dura no camarim. Não encontraram nada, já que deu tempo do músico jogar tudo na privada.

Depois disso, ele resolveu sempre fumar sua maconha em um esconderijo no teatro, que chamava de “Garrastazu”, em referência ao Médici. Segundo ele, nada menos suspeito do que falar, naquele momento político, o nome do presidente da República!

Ah! E o livro vai para o cinema, em um documentário! Certo que vou assistir!!!





Na fase racional... Totalmente de cara e criando pra caramba!!!
enviada por Flávia Cunha



05/07/2008 08:48
Lamentações cotidianas

Dia desses saí pelas ruas de Porto Alegre e me veio a cabeça o seguinte versinho de rima fácil:

"Levava um livro vermelho na mão

E uma angústia no coração"


É assim que venho me sentindo no momento atual. Problemas reais
amplificados pela minha personalidade dramática fazem com que minha visão de mundo esteja cinza ultimamente.

Quem me dera ser Poliana e conseguir enxergar tudo cor-de-rosa. Ou encarnar Alice, e morar no país das maravilhas.

Mas, não. Eu sou mesmo é um personagem de Almodóvar, sempre enfrentando as agruras do destino sem conseguir conformar-se. Ou uma integrante do elenco de uma novela mexicana, bradando contra as agruras do universo.

Por isso, o mantra interno do momento é tenho-que-me-animar... tenho-que-me-animar... (Ad infinitum!!!)

Ah! O livro de capa colorada que eu carregava era O Vermelho e o Negro, do Stendhal. O protagonista, Julien Sorel, é um anti-herói que passa todo o enredo lutando contra as imposições sociais e morais... Qualquer semelhança pode não ser mera coincidência!




Carmen Maura que se cuide!!!


enviada por Flávia Cunha



26/06/2008 16:24
Universos paralelos

Clarice Lispector escreveu uma vez que se pudesse morar em um livro, escolheria "Reinações de Narizinho", de Monteiro Lobato. Parafraseando a grande escritora com total liberdade, posso dizer que se fosse residir em um filme, iria correndo para dentro de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain".

O longa-metragem francês tem lirismo, figurino primoroso e o toque de magia nas pequenas coisas do dia a dia que gostaria de poder encontrar no meu próprio cotidiano. Já curti as peripécias de Amélie várias vezes, mas sentia falta de algo novo nessa mesma linha.

Finalmente, encontrei há algumas semanas. E o melhor: é um seriado que terminou a 1ª temporada há pouco nos EUA e já tem a 2ª confirmada. A série em questão é Pushing Daisies, que tá rolando na Warner e também na Internet, de onde a gente baixou.

A história de realismo fantástico é a de Ned, que quando criança descobriu ser capaz de trazer os mortos de volta à vida com apenas um toque. Com outro toque ele também devolve a morte a esta pessoa e tem que fazer isso em menos de um minuto, senão outro morre no lugar.

Para contrapor o clima mórbido, são utilizadas cores vivas e enquadramentos frontais em praticamente todas as cenas, criando um visual único. O figurino da protagonista feminina é maravilhoso, lembrando as divas dos anos 50.

Esse clima de pura imaginação é permeado por uma narração em off que muito me lembrou o estilo da Amélie. Sempre que se recorre a flashbacks, é comentado, por exemplo, que tal personagem tinha 8 anos, 3 meses e 12 dias quando ocorreu determinado incidente.

Pra quem curtiu o filme, acho que esse seriado é uma boa pedida. Eu recomendo!!!




O mundo mágico e cheio de lirismo da sonhadora Amélie e seus amigos...




... tem muito a ver com a história de Pushing Daisies!!!
enviada por Flávia Cunha



20/06/2008 16:24
Ramilonga*

Minha reclamação mais recorrente das últimas semanas é em relação ao clima. Simplesmente odeio inverno, ainda mais quando ele chega antes da hora.

Temperaturas entre 2 e 5 graus ao amanhecer. Camadas de blusões,
casaco, meia-calça e bota não adiantam quase nada! E lá vou eu tiritando pela rua pelas sete da matina em direção ao Campus do Vale da UFRGS...

Por essas e por outras, não consigo ver glamour no frio, como algumas pessoas enxergam. Questiono seriamente o motivo de ter nascido no estado mais meridional do Brasil. Ok, temos uma cena rock n'roll consistente, ao invés do axé da Bahia. Mas se eu pudesse ir a praia o ano inteiro, será que não abriria mão de ter na rádio que eu escuto as músicas que gosto?

Lamúrias à parte, a friaca veio para ficar. O único jeito é tomar vinho, chá e café em quantidades industriais!!!




Chove na tarde fria de Porto Alegre/ Trago sozinho o verde do chimarrão

Olho o cotidiano, sei que vou embora/ Nunca mais, nunca mais

Chega em ondas a música da cidade/ Também eu me transformo numa canção

Ares de milonga vão e me carregam/ Por aí, por aí


By Vitor Ramil
enviada por Flávia Cunha






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